Patinando em indicadores de desenvolvimento, Brasil se distancia de países da OCDE

14 de Setembro de 2018 | Notícias

País figura entre os cinco piores em 21 dos 36 indicadores internacionais do Ranking de Competitividade dos Estados

 

Há mais de um ano o Brasil solicitou a sua adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas ainda não foi aceito. Um estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) mostra que o País ainda está distante da média dos países desenvolvidos que integram a Organização. Entre os 36 indicadores internacionais que compõem o Ranking de Competitividade dos Estados, o Brasil figura entre os cinco piores países em 21 deles. Esta avaliação é feita anualmente pelo CLP, em parceria com a Tendências Consultoria e a The Economist Unit Intelligence.

A ferramenta indica o desempenho do país em comparação com os 34 membros da OCDE em 36 setores-chave, que integram 10 pilares de competitividade (Potencial do Mercado, Infraestrutura, Capital Humano, Educação, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Inovação e Sustentabilidade Ambiental).

Em 17 dos 36 quesitos, o Brasil aparece no último lugar entre os 35 países avaliados. Em outro quatro, está entre a 31o e a 34o posição. Os pilares de Sustentabilidade Ambiental e Eficiência da Máquina Pública são os únicos nos quais o país apresenta resultados favoráveis.

 

Os resultados parciais são

 

- Potencial de Mercado >> Entre os 35 países comparados, o Brasil é o 6o com maior potencial de mercado, mas fica 35o em taxa de crescimento. Esse resultado se dá porque a economia brasileira está entre uma das 10 maiores do mundo. Porém por conta da recente crise, a taxa de crescimento do Brasil está bem inferior aos países da OCDE. De acordo com o relatório “Perspectivas DEPEC 2018 - O Crescimento Da Economia Brasileira 2018-2023“, do BNDS, para este ano, a estimativa de crescimento do PIB brasileiro é de 1,7%, enquanto em 2010 foi de 7,5%.

- Infraestrutura >> Neste pilar, o Brasil se iguala aos demais no acesso à energia elétrica, aparece em 5o em custo dos combustíveis e fica em 32o nos serviços de telecomunicações e em último (35ª) em qualidade das rodovias. Mesmo com a crise dos combustíveis pela qual o Brasil passou no primeiro semestre de 2018, ao ser comparado com a OCDE o Brasil é um dos países com custo mais baixo, média de R$4,30/L, enquanto na Islândia chega á R$ 7,70. (fonte: BBC/Global Petrol Price)

- Capital Humano >> O Brasil está na 35ª em três itens do pilar: acesso ao ensino superior, qualificação dos trabalhadores e produtividade do trabalho. O país aparece bem posicionado, em 2ª lugar, no item custo da mão de obra.

- Educação >> Último colocado (35ª) no quesito avalição do PISA, no qual o Brasil é o 63o para conhecimentos de ciência, 65o para matemática e 59o em leitura. O país aparece em 29ª em taxa de frequência líquida do ensino fundamental e em 30o em taxa de frequência líquida do ensino médio. No item avaliação da educação, o Brasil iguala- se aos demais países avaliados.

- Sustentabilidade Social >> Pilar com o maior número de indicadores avaliados, o Brasil é o 35o em sete itens: mortalidade infantil e materna, mortalidade precoce, anos potenciais de vida perdidos, IDH, desigualdade de renda, acesso a esgoto. Em mortes evitáveis e segurança alimentar, o país aparece em 34ª lugar. No quesito inserção econômica, o Brasil é 33o. O indicador no qual o país aparece mais bem posicionado, com a 17ª posição, é o de acesso à água.

- Segurança Pública >> O país está na última colocação em segurança pessoal e segurança no trânsito e possui o maior déficit carcerário entre as nações avaliadas. Aparece em 18ª em segurança patrimonial.

- Solidez Fiscal >> O país está em 35ª em resultado nominal e em 24o em solvência fiscal.

- Eficiência da Máquina Pública >> Este pilar é avaliado por meio do nível de transparência dos governos, no qual o Brasil ocupa a 5ª colocação, devido a Lei de Acesso a Informação que está em vigor desde 2012.

- Inovação >> Com a 33o posição no item produção acadêmica, o país é o 29o em investimentos públicos em P&D e o 9ª em patentes.

- Sustentabilidade Ambiental >> O país aparece em 1ª lugar, com menores índices de emissão de CO2.

 

A métrica utilizada leva em consideração a proporção de tonelada de CO2 produzida por habitante. A posição do Brasil se da por vários fatores, entre eles o fato da população bem maior do que dos demais países da OCDE, além da Floresta Amazônica, também chamada de “pulmão do mundo” que absorve grande volume do CO2 emitido.

Além da comparação internacional em 36 setores-chave com os países da OCDE, o Ranking é integrado por 68 indicadores estaduais, que permite a avaliação da competitividade entre as Unidades da Federação.

 

Vários países dentro de um mesmo país

 

Um país de dimensões continentais como Brasil apresenta uma grande diversidade socioeconômica. Alguns Estados são tão desenvolvidos que podem ser comparados aos membros do chamado “clube dos ricos”:

• Acesso à energia elétrica – O Brasil teve uma das maiores notas da avaliação na comparação com a OCDE. A maior nota do grupo é a da Austrália (92,4), no Brasil, 16 Estados brasileiros tiveram nota acima da do país. Apenas Tocantins, Roraima, Piauí, Pará, Maranhão, Goiás, Bahia, Amapá e Amazonas, ficaram abaixo da média.

• Acesso à água potável – Na comparação com a OCDE, a Austrália também é o país com a maior nota no indicador (82). Dentro do Brasil, Mato Grosso, Piauí, Roraima, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo são os Estados que ultrapassam a nota australiana em resultados absolutos. Ao olharmos para a média da OCDE (73), 13 UFs brasileiras receberam nota superior.

• Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento – As notas de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento não são muito altas dentro da OCDE, Israel país melhor avaliado recebeu 46,1 enquanto a média do grupo é 21. No Brasil, Paraná (nota 46,8) e São Paulo (nota 100) passaram Israel, entre os Estados que estão acima da média da OCDE neste indicador estão Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraíba Bahia e Amazonas.

 

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Por que comparar com os países da OCDE?

O Ranking permite a comparação de todos os Estados brasileiros com os países membros da OCDE. Como a OCDE é integrada por países em vários estágios diferentes de desenvolvimento, assim como os Estados brasileiros, a estrutura de benchmarking internacional permite a comparação de três maneiras:

 

• Quando se considera os países de renda média, pode-se comparar com os Estados brasileiros que têm formação semelhante e, portanto, obter uma visão sobre a suas posições.

• Quando se considera os países desenvolvidos, pode-se ver a distância entre os dois grupos e considerar os países desenvolvidos como modelos para os Estados brasileiros.

• Por fim, quando se considera a OCDE como um todo, pode-se fazer uma comparação com referência internacional ao observar o grupo agregado em relação ao Brasil (ou seja, o conjunto de todos os Estados).

 

A seleção de países permite uma comparação geográfica rica e diversa. Todos os países membros da OCDE apresentam forças específicas relevantes, que podem ser usadas tanto para guiar metas políticas de curto prazo como para basear aspirações de competição em longo prazo.

Ao trazer os dados da OCDE para o Ranking conseguimos aumentar a régua de comparação e tirar os Estados que sempre ficam entre as primeiras colocações de sua zona de conforto. O objetivo é mostrar que sempre há melhoras para serem feitas, e que sempre há iniciativas para implementação de melhores práticas e aumentar a competitividade.